Sobre o amor de mãe

Quando você não é mãe não entende muito o que quer dizer ‘que filhos trazem sentido a vida’.

Eu pensava: Eu amo a minha vida. Não preciso de uma criança para me trazer sentido.

Veio a gravidez, fiquei extremamente feliz durante a gravidez inteira. Amava minha barriga, achava que já amava meu filho.

A verdade é que eu não sabia nada sobre a vida e absolutamente nada sobre o amor.

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Eu não tive aquele insight que todo mundo tem quando o filho nasce. Não tive aquele amor, não chorei, não me emocionei. Quando a médica me mostrou o João, parecia que eu estava conhecendo um bebê de outra pessoa. Eu pensei: “ah, tá. Esse é o João”. Não tive aquele instinto de querer pegar no colo. Só beijei porque a enfermeira falou para eu dar um beijo.

Me senti muito culpada por isso.

Admiro muito as mães que se emocionam na hora do parto, admiro de verdade, acho lindíssimo. Mas se após ler isso aqui, você vier para mim e falar: “Nossa, me apaixonei assim que vi meu filho pela primeira vez, me emocionei deee-mais”, saiba que eu vou te ‘odiar’ muito. Porque minha culpa já me basta e não preciso de ninguém jogando isso na minha cara. Além do queeeeee….você não ganha nada se gabando com isso.

Quando o João foi para o quarto, eu fui amamentar pela primeira vez na minha vida. Era meu sonho amamentar. Aí minha primeira impressão foi: “ah, então é isso que é amamentar?”

E aí veio a noite. E me peguei vendo se ele estava respirando ainda. Me peguei acordando meu marido (eu não conseguia levantar sozinha) para ele ir ver se o João estava respirando.

No dia seguinte, quase de tarde, fui amamentar ainda na maternidade e ao colocar ele para arrotar, tirei uma selfie nossa. Ele parecia ser do tamanho do meu ombro, era a coisa mais linda. É a minha foto preferida de nós dois. Ele era meu. Saiu de mim. Era tudo que eu tinha ali. E eu era tudo que ele tinha ali.  (Essa ainda é a minha posição favorita com o João, tinha muito medo que ele crescesse e não ficássemos mais assim, mas a expressão ‘o filho nunca é grande o suficiente para o colo de uma mãe’ é tão verdade, que nós ficamos assim o tempo todo).

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Fomos para a casa e aí eu amamentava segurando a mãozinha dele. Às vezes ele me olhava enquanto mamava e era a coisa mais linda da vida. A gente ficava assim se olhando. Depois ele aprendeu a colocar a mão no meu peito enquanto mamava e essa é a minha melhor lembrança da amamentação.

Vieram as doenças (todo bebê fica doente, mais do que normal) e eu me peguei querendo trocar de lugar com ele, só para não o ver abatido. É engraçado dizer, mas eu me sentiria melhor se fosse eu a doente.

Comemorei quando ele descobriu a mão, quando ele deu a primeira gargalhada dele, comemorei quando ele virou sozinho, quando ficou de bruços sustentando a cabeça, quando sentou sozinho, chorei copiosamente no consultório da pediatra quando parei de amamentar, mas aí logo depois comemorei que ele engatinhou, o primeiro dentinho, a primeira vez que ele andou. E são mais de 2 anos comemorando cada conquista dele, cada conquista nossa.

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Hoje o João me faz sentir a mulher mais linda e importante desse planeta. Porque, para ele, eu sou a mulher mais bonita e importante desse planeta. E não importa que eu esteja acima do peso, não importa que eu tenha mil defeitos. Para ele, realmente isso não importa, ele não tá nem aí para isso.

E como ele me faz sentir linda? Quando eu estou me vestindo para sair, colocando um vestido qualquer, e ele me olha e grita com surpresa: “MAMÃE, QUE LIIIIIINDA”.

E como ele me faz sentir importante? Quando ele acorda e a primeira pessoa que procura sou eu. Quando ele está dormindo, escuta minha voz (dormimos os três juntos na cama) e fica me procurando com os pés enquanto os olhos ainda estão fechados. Quando ele dorme no meu colo, me envolvendo toda.

E, principalmente, quando ele diz “Te amo, mamãe”. Como eu disse lá em cima, eu nunca soube nada do que é a vida, nunca soube nada do que é amor. Eu sempre achei que soubesse, mas eu estava completamente enganada.

Eu nasci junto com o João. Nós fomos construindo aos poucos esse amor, esse amor louco, estarrecedor.

Você pode ter se apaixonado pelo seu filho no primeiro segundo e se isso aconteceu, acredito ter sido a melhor sensação do mundo.

Mas se essa paixão não veio no primeiro momento, não se culpe, não se preocupe. Ela virá e será tão maravilhoso quanto. O momento do parto envolve muitas coisas, são muitos sentimentos envolvidos e não conseguir entender o que realmente está sentindo não é nenhum pecado e nenhum erro grave.

Beijos,

Fê!

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Ser mãe, o papel mais difícil e intenso que exerci

Eu adiei ao máximo em escrever esse post porque tinha certeza que iria me afogar em lágrimas. Simplesmente falar da maternidade, do meu filho me fazem chorar e eu não faço idéia do motivo.

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Sabe, ano passado foi meu primeiro dia das mães. Eu estava grávida e já me sentia mãe, mas eu não fazia idéia do que era ser mãe, do quão intenso é ser mãe. Eu tinha tanto medo de não dar conta e, meu Deus, eu consegui. Eu simplesmente consegui dar conta de ser mãe. E eu sei que não sou a melhor mãe do mundo, mas eu tento todos os dias, tudo que eu faço na vida, por menor que seja, é pensando no meu filho. Ele me faz querer ser uma pessoa melhor todos os dias.

Então respire fundo porque você vai ser mãe pelo resto da vida.

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Eu não sei nem explicar direito.

Foi um ano muito difícil. Ser mãe foi a coisa mais difícil que me aconteceu na vida porque não tive a opção de desistir, de dar uma pausa. É isso e vai ser pra sempre isso.

Milhares de vezes eu tive vontade de chutar o balde e sumir, mas não pude porque meu filho depende 100% de mim. E quando esfriei a cabeça esqueci completamente essa idéia e ainda me achei muito maluca por, pelo menos um minuto, ter pensado isso. Eu jamais, em hipótese alguma, deixaria meu filho.

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Pra onde eu vou, eu quero levá-lo, eu sempre quero ele por perto, mesmo sabendo que vai ser perrengue estar com ele ali. Quero muito que ele cresça sendo meu melhor amigo, quero que quando ele for adulto, eu ainda seja a mamãe dele e que ele seja muito carinhoso comigo.

Eu o olho e não acredito que um dia ele esteve dentro da minha barriga, que um dia ele ficou me chutando enquanto eu fazia carinho nele imaginando a carinha linda que ele teria.

Eu chorei a primeira vez que ele pegou um brinquedinho, estávamos só nós dois em casa e eu correndo pra arrumar a casa enquanto ele estava quietinho no carrinho e quando olhei para trás ele estava pegando o brinquedinho com a mão, finalmente tinha descoberto a mão.

Amamentar é foda (desculpa o termo, mas não encontrei outra palavra para descrever) de difícil, dói, cansa, esgota. Mas eu chorei no consultório da pediatra quando ela me disse que provavelmente meu leite secaria e eu não queria parar de amamentar, não queria cortar esse elo, eu não queria. A primeira vez que me dei conta que era mãe foi na maternidade quando fui amamentá-lo pela segunda vez, sentada na poltrona e coloquei-o para arrotar em posição de sapinho. Ele era tão pequeno, tão meu e eu era tão dele. E eu não queria perder isso, eu simplesmente não queria parar de amamentar porque era assim que eu me sentia, muito dele e ele muito meu e de mais ninguém.

Chorei quando a licença maternidade acabou, eu tive que voltar a trabalhar e não iria mais ficar 24h com ele. Mais uma vez ele não seria só meu e eu só dele. Foi difícil e doloroso o retorno ao trabalho.

Chorei a primeira vez que ele engatinhou. Sozinha, depois, num canto sem ninguém pra ver e rir de mim, de me chamar de idiota.

Chorei quando fui deitar e lembrei o quanto o amo, amo, amo que chega a doer dentro do meu peito.

Chorei quando ele ficou doente e eu desejei mil vezes que fosse comigo, mas nunca com ele. Por favor, Deus, tira isso dele e passa pra mim.

Eu o olho e é tudo tão perfeito. O cabelo, o narizinho arrebitado, os olhos de jabuticaba, a boquinha gorduchinha como a do pai, a bundinha, tudo tão lindo que eu só consigo agradecer à você, meu filho, por ter me escolhido para ser sua mãe.

É um amor muito louco, maior do que qualquer coisa, maior do que nós mesmas.

Ninguém nunca vai entender sem ter passado por isso, mas certeza que as mães que estiverem lendo isso me entenderão 100%.

Hoje eu entendo outras mães, sinto felicidade quando vejo uma mãe feliz, fico triste quando vejo a tristeza de uma mãe, seja na tv ou ao vivo. Hoje fui fotografar uma festa e meus olhos se encheram de lágrima na hora do parabéns porque eu vi a felicidade daquela mãe, sei que na cabeça dela está se passando o mesmo filme que se passa na minha.

Outro dia eu sonhei que eu morria e chegando no céu eu implorava para voltar porque eu tinha um filho pequeno e precisava muito voltar porque eu tinha que ensinar tudo pra ele e precisava muito vê-lo crescer, eu queria muito isso. Foi horrível esse sonho, eu acordei chorando muito, soluçando. Foi quando me dei conta que agora tenho muito medo de morrer e não poder estar presente em todas as conquistas e descobertas do meu filho, do meu João.

Melhor coisa que poderia ter acontecido na minha vida é ter me tornado mãe, minha maior realização, eu amo ser mãe, eu nasci para ser mãe, eu sempre sonhei em ser mãe, meu melhor papel é o de mãe.

Como uma amiga querida me disse, “Deus nos faz ser mãe para evoluirmos como seres humanos”. Eu nem lembro a mulher que eu era antes de ser mãe.

Para todas as mães que lerem esse post, eu desejo um Feliz dia das mães com as melhores coisas que Deus poderia nos dar, os filhos. Sim, dia das mães é todos os dias, mas é muito bom ter um dia todinho para gente.

Beijos,

Nanda

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Ps: as fotos foram do ensaio mãe e filho que fizemos com a fotógrafa Camilla Paes

Ensaio de Carnaval

Opa, e cá estou eu falando de carnaval mais uma vez. É muito amor por carnaval, Braseeeel!

Mas é que eu preciso contar pra vocês que no dia 31/01, dia seguinte ao meu aniversário, fomos ao stúdio da Luciana Thomaz para fazer um ensaio de carnaval com o João.

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Foi uma mini sessão fotográfica, bem mini mesmo. Mas o resultado mexeu com meu coração, eu amei ver as fotos e ver o meu filho nelas. É difícil explicar, mas é que certas fotografias passam emoção, sabe? E nessas eu conseguia ver o João exatamente como ele é: feliz!

A Lu me envio mais de 60 fotos, como não poderia colocar todas aqui, já imaginem o quão difícil foi preparar esse post só com algumas das minhas preferidas.


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Sério, não me canso de ver essas fotos, acho que já vi mais de mil vezes.

Finalmente encontrei uma fotógrafa para chamar de minha ❤ Mas para quem se interessar, o studio da Luciana Thomaz fica no Rio de Janeiro, na Barra da Tijuca (próximo ao antigo autódromo).

O site é o www.lucianathomaz.com.br

Facebook http://facebook.com/lucianathomazfotografia

E-mail luciana@lucianathomaz.com

Telefone (21)97935.2900

Instagram @lucianathomazfotografia

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Beijos,

Nanda

Visitas pós parto? Eu apoio!

Uma das minhas metas para 2015 é ser mais ativa no blog e acredito que conseguirei, minha vida tá mais estável, o João tá numa rotina ótima e estou conseguindo, aos poucos, voltar com a minha vida, fazer mais coisas que não esteja o João envolvido.

New Year 2015

Queria então iniciar os posts desse ano falando sobre um post que vi num outro blog, (eu realmente não lembro o nome do blog) em que a mãe (blogueira) comenta que toda mulher, no fundo, não gosta de visitas pós parto, mesmo aquelas mulheres que não falam, pensam isso.

Bom, eu respeito muito quem não gosta de visita pós parto, respeito mesmo. Porque sei o quanto é cansativo, dolorido, estressante e tudo mais. É tudo muito intenso e realmente algumas mães preferem se reservar mais. Eu acho super válido, entendo perfeitamente. E por isso sempre pergunto às grávidas que conheço se vai querer visita no hospital e em casa. Respeito MUITO isso de verdade, é um momento totalmente particular e cada mulher tem a sua maneira de levar isso.

Porém, discordo totalmente quando a blogueira generaliza e diz que TODA mulher pensa assim, mesmo que lá no fundo.

NÃO, EU NÃO PENSO ASSIM, NEM LÁ NO FUNDO!

Eu antes de ter o João, avisei à todos os meus amigos e familiares o dia, horário e local, e pedi que eles fossem porque seria muito importante pra mim, precisava deles lá comigo. E foi, não só no pré parto, mas todas as visitas no pós parto foram extremamente importantes pra mim.

Quando cheguei no quarto e vi todos lá esperando por mim ainda, me preencheu tanto isso.

No momento que o João foi pro quarto a primeira vez, foi lindo, todos lá. Uma amiga filmou e eu amo esse vídeo, mesmo eu estando horrenda. rsrs.

Quando fui amamentar pela primeira vez, a enfermeira pediu gentilmente que todos aguardassem uns minutos do lado de fora para me darem mais privacidade. Achei que todos fossem embora naquele momento, mas não. Assim que a enfermeira liberou, lá estavam todos ainda. ❤

Eu não tinha dormido de ansiedade no dia do parto, o João nasceu 13:13 e até acabar o horário de visitas, que era às 20h, não parava de chegar e sair gente. Eu não me sentia cansada, eu não sentia sono, eu tava em “estado de adrenalina”.

Lembro que quase às 20h, uma amiga chegou. Ela tinha ido direto do trabalho e só conseguiu chegar aquela hora. Ela trabalha num hotel e fez questão de comprar um presente pro João na lojinha do hotel. Eu achei aquilo tão lindo, eu fiquei tão feliz com aquela visita que encerrou meu dia, que guardo com muito carinho os dois presentinhos que ela deu.

Me senti acolhida, me senti amada, me senti compreendida, me senti mais forte por passar por essa fase. Eu precisava disso, cada pessoa que entrava no meu quarto do hospital ou na minha casa, me trazia energias positivas “lá de fora”.

Digo lá de fora porque, além de tudo, é como se fosse um período de reclusão. Fiquei 3 meses sem poder ir em ambientes fechados com muita gente, só podia passeios curtos e em ambientes abertos. Como o João nasceu no inverno, acabamos não saindo muito. E não ter a liberdade de ir comprar qualquer coisinha no shopping, nem que seja rapidinho, foi completamente depressivo pra mim.

Veja bem, essa não é uma crítica ao outro post que me referi, não é mesmo. Porque como disse e repeti, eu entendo totalmente, mas não posso concordar que toda mulher pensa assim. Porque eu não penso assim. E mesmo que eu seja a única mulher no mundo que não pensa assim, ainda assim não serão TODAS.

Obrigada a todos que foram me visitar no hospital, na minha mãe, na minha casa. Mesmo que tenha sido rápido. Até mesmo os que não puderam ir, mas mandaram mensagens, ligaram, fizeram Facetime. Vocês todos foram muito importantes na fase que, ao mesmo tempo, foi a mais feliz e difícil da minha vida. Obrigada por fazerem desses dias melhores e mais fáceis. Obrigada por cada palavra de apoio, por cada olhar de apoio e carinho, por cada abraço, por cada beijo, por cada presente. Nem que eu fique o dia todo aqui escrevendo e agradecendo vou conseguir expressar toda a minha gratidão por suas visitas.

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Um pouco dos que estavam lá minutos antes do João nascer. E olha que tinha mais gente. Entende a energia positiva que eu disse?

 

Inclusive, nunca tive a oportunidade de agradecer à minha amiga que fotografou todos os momentos desse dia (quando eu digo todos, são todos mesmo, até eu me credenciando pra entrar na maternidade rsrs). Acho que ela não tem idéia do quanto foi importante, do quanto se tornou íntima e do quanto foi eternizada em nossos corações. No dia eu estava tão em alpha que não pude agradecer. Muito obrigada!

E a minha dica para as gravidinhas que possam vir a ler esse post é que parem para pensar nisso, nessa decisão de ter ou não ter visitas. Leve em consideração seu estilo de vida, o que você pensa a respeito e como leva as coisas. Não fique pensando no que os outros vão pensar, deixa eles pensarem porque quem vive isso tudo é você e quando eles saem por aquela porta, quem fica no perrengue é você. E, na verdade, a maioria das pessoas entende e respeita a decisão, mesmo que ela for a de não receber visitas. Tudo está na maneira que é falado, caso não queira receber visitas, explique com carinho isso, o motivo de ter tomado essa decisão e fala que assim que se sentir melhor, avisará a todos e todos serão bem-vindos. Pensa, mas pensa com carinho nisso. 😉

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Beijos,

Nanda

O drama que é a volta ao trabalho depois do nascimento do filho

Quem me acompanha no Instagram e Facebook sabe que eu estou passando por um novo….acho que podemos chamar de….desafio. Um novo desafio na minha vida: A volta ao trabalho depois da licença Maternidade.

É bem provável que quem não seja mãe, não entenda o motivo de eu chamar isso de desafio e nem entenda o meu “sofrimento”. Até mesmo quando eu estava grávida, fazia partes de grupos de mãe, achava uma frescura quando surgia esse assunto e achava a mulher uma frouxa ou preguiçosa porque eu sempre trabalhei e só de tirar férias eu me sentia inútil, doida pra voltar. Realmente achei que não teria problemas quando fosse a minha vez.

Paguei minha língua e vou tentar explicar pra quem nunca passou por isso.

Bom, primeiro vou começar falando de uma palestra do Pediatra Dr José Martins Filho que eu assisti uma vez e que ele fala muito do que eu penso e assim fica mais fácil de explicar.

Ele fala sobre os primeiros 1000 dias, que não é muito conhecido para quem não é mãe e até para algumas mamães que os desconhecem mesmo. Os primeiros 1000 dias são os mais importantes e delicados de uma criança, tanto na saúde, como no desenvolvimento. Ele vai desde a gestação até os 2 anos. É quando o cérebro se desenvolve e determina o desenvolvimento da criança. Quando a criança não recebe o cuidado necessário nessa fase, ela pode ter problemas futuros.

Os bebês nascem e a mãe tem que deixá-lo pra ir trabalhar, desrespeitando a lei internacional da maternidade da mãe ficar com o bebe nos primeiros anos de vida.

 

A  legislação brasileira é atrasada, são apenas 4 meses de licença maternidade. Na maioria dos países desenvolvidos, eles sabem que o bebê precisa da mãe até os 2 anos de idade.

Com 4 meses você deixar seu bebê numa creche é um sofrimento, ele é super pequeno ainda. É quase a sensação de que você o está abandonando, dá uma sensação de culpa absurda. Sem contar que a imunidade de um bebê de 4 meses é super baixa, crianças em creches vivem doentes.

A princípio o João iria ficar em creche e eu adiei ao máximo minha visita em creches. O dia que eu fui, me deu uma vontade louca de chorar no meio da creche.

Fiquei pensando que é tão difícil cuidar de uma criança, tem horas que eu perco a paciência, tenho vontade de chutar o balde, deixar pra lá e tenho noção que eu não posso. Nessa hora eu respiro fundo e tiro AMOR do dedinho do meu pé e tento passar todo esse amor pra ele porque, para uma criança, carinho e amor cura qualquer coisa. E nessas horas difíceis, eu o pego no colo, abraço, beijo e tento passar pra ele todo meu amor. Desde quando passei a fazer isso, me entregar totalmente pra ele, os dias passaram a ficar mais fáceis pra mim e pra ele.

Agora, se eu tenho que tirar amor do dedinho do pé, o que vai fazer uma pessoa que não tem nenhum tipo de sentimento por ele? Sabe, é muito difícil e era nisso que eu não parava de pensar. E esse pensamento me deixava com mais culpa dentro de mim.

Apesar de eu ter ótimas referências dessa creche, de que os funcionários eram mega carinhosos, não era eu, não era a mesma coisa.

Então Deus me presenteou com a novidade que minha mãe poderia ficar com o João em alguns dias na semana e nos outros dois dias, minha tia ficaria com ele. Saber que ele estaria com pessoas de minha total confiança e que o amam quase que tanto quanto eu, me deixou MUITO mais tranquila, mas não menos culpada.

Eu adiei falar nesse assunto, até que no domingo, um dia antes de voltar a trabalhar, eu desabafei no instagram, falei tudo que estava preso na minha garganta.

Falei foram 5 meses em casa (consegui 1 mês de férias além da licença), 5 meses difíceis, intensos, mas 5 meses 24h grudada nele.
Que eu voltaria a trabalhar no dia seguinte com meu cotação cortado. Como eu queria não ter mais que trabalhar, como eu queria viver pra ele, mommy full time. Como eu pensei nesses 5 meses maneiras de não ter que trabalhar fora, de trabalhar de casa, de ganhar dinheiro, de abrir minha própria empresa. Mas não cheguei a nenhuma conclusão cabível.

A minha sensação é que não iria acompanhar o crescimento do meu filho. Não vou ver quando ele engatinhar pela primeira vez, não vou ver quando ele falar pela primeira vez. Não vou estar presente em nenhum desses momentos importantes dele. Praticamente não vou cria-lo.

Que mundo cruel é esse, meu Deus? Que faz nós, mães, ter que terceirizar a criação de nossos filhos.

Escrevi o desabafo aos prantos e assim permaneci por algumas horas depois de postar, morrendo de medo do futuro. Morrendo de medo que ele perca esse carinho que ele tem por mim.

Como iria sobreviver sem seu cheiro 24h comigo?????

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Finalizei pedindo à Deus que me desse muita muita muita força. Para a minha surpresa, Deus me deu muita força em forma de amigos, seguidores. Recebi muito carinho, muitas palavras de incentivo, muitas palavras de consolo de pessoas que entenderam minha dor e que a compartilharam comigo.

Isso fez ser mais fácil o retorno ao trabalho, é melhor do que pensei que seria. O ruim mesmo é virar de costas e deixá-lo lá e ir o caminho todo pensando nisso. Mas quando chega no trabalho, faço tantas coisas que acabo não pensando muito nisso. Dá a minha hora e eu corro pra ele. Ontem cheguei e ele grudou em mim no colo e foi muito delicioso. Nosso tempo junto tem sido mais intenso.

Hoje, no 5 dia de trabalho, longe dele, está mais fácil, mas ainda penso que não irei acompanhar o crescimento do meu filho. Não sou eu que vou criar meu filho, olha que loucura. Óbvio que eu confio na criação da minha mãe e da minha tia, afinal elas me criaram, criaram meu irmão e meus primos, mas NÃO SOU EU. Tenho alguns pensamentos diferentes, muitas coisas mudaram desde aquele tempo pra cá, tenho outro método de criação e infelizmente não vou poder usar, porque ele vai ficar a maior parte dos dias dele longe de mim, com outras pessoas. Você ter um filho e não poder “criar” (ok, estou sendo exagerada apenas pra exemplificar) é uma das piores dores que uma mãe pode ter.

Tenho cantado muito a música Thousand Years da Christina Perri que diz “I Have died every day waiting for you. Darling, dont be afraid, I have loved you for a thousand years, I’ll love you for a thousand more” (Eu morri todos os dias esperando você. Querido, não tenha medo, eu te amei por mil anos e vou te amar por mais mil).

Só pra finalizar, muita gente disse que sou corajosa, que não teriam coragem de voltar pro trabalho e que abandonaram os empregos. Infelizmente, eu não tive opção de ser corajosa ou não. A vida só me deu essa opção. Se eu pudesse, pode ter certeza que jamais teria voltado ao trabalho.

Mas vamos lá, um dia melhor que o outro e quem sabe um dia, consigo deixar o trabalho pra me dedicar inteiramente ao meu filho e ao blog, quem sabe um dia eu chego lá, né? Tenho trabalhado bastante pra isso 😉

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Beijos,

Nanda

O que ninguém nunca vai te contar sobre a maternidade

O cansaço, sem dúvida, é o lado obscuro da maternidade. Só que ninguém nunca te contou, nem vai contar. Porque mãe que é mãe nem liga que o filho cansa, a gente quer é mais

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Vou começar esse post dizendo que morro de saudade dos dias que passei na maternidade, com enfermeiros e médicos me auxiliando em tudo, parecia até que eu estava em um hotel. Os últimos dias que dormi na vida. rsrs.

Ok, é um pouco (bem pouquinho mesmo) de exagero. Mas o que quero conversar com vocês hoje é o quanto é cansativa a vida de mãe.

Eu chegava do trabalho e da faculdade e achava que estava cansada, mas não, eu nunca soube o que realmente é estar cansada antes do João nascer. Nesses 4 meses, eu pude realmente ver o limite de um cansaço.

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No primeiro mês é desesperador. É O João nunca foi uma criança que chora muito, mas um bebê que acabou de nascer, tem que se ambientar ao lado de fora, tem que aprender a dormir. Me ensinaram no hospital a dar mamar de 3 em 3h, mesmo se ele tivesse dormindo. E ele foi acostumando que mamar é de 3 em 3h. Mas o problema que não era só isso. Mama, aí faz cocô, troca a fralda (depois aprendi num livro a não acender a luz de madrugada nem pra dar mamar e nem pra trocar fralda, ficar só com a luz de apoio, a usar fralda noturna e só trocar se ele fizer cocô – essas duas coisas me ajudaram muito) , acende luz, ele desperta, quando chora você ainda não entende o motivo do choro, você tá insegura, às vezes dá uma coliquinha, aí faz dormir de novo. E até você dormir realmente, já tá quase na hora dele mamar de novo. E isso é realmente desesperador!!!!! Era tão desesperador que eu chorava de cansaço, chorava de sono.

Meu casamento entrou em crise. Quase não ficávamos de bem, estávamos sempre discutindo ou estávamos brigados. Pensei que fossemos nos separar. Mas hoje vejo que estávamos muito cansados, estressados. Não soubemos administrar isso direito.

É uma fase que parece que nunca vai acabar, mesmo as pessoas falando que vai passar, eu ficava pensando: “Mas meu Deus, todo mundo fala que vai passar e não passa nunca, quando realmente vai passar?”. Não sei exatamente quando passou, mas passou.

Realmente passou mesmo. O João começou a espaçar mais o sono e a entender que à noite é mamar e dormir de novo (às vezes não dá muito certo, mas na maioria das vezes, sim). Só que quando acaba uma fase díficil, você entra em outra fase difícil e assim vai, é um ciclo vicioso. A diferença é que você vai aprendendo a lidar com o cansaço, você já entende melhor o choro do seu filho (se é de fome, desconforto, dor, manhã – na época o leandro pesquisou uns vídeos que desvendam o choro de bebê, ajudou muito a gente, mas com o dia-a-dia, a gente foi entendendo melhor do que com os vídeos que quando ele chorava a gente tentava desvendar se o choro era igual ao que a moça do vídeo dizia que era de fome), já sabe o que pode acalmar, etc. O problema que o que um dia super dá certo pra acalmar seu filho, no dia seguinte já não funciona mais e você fica na tentativa e erro.

Sempre me diziam pra eu aproveitar que o João está dormindo de dia para dormir também. Ok, mas aí quem arruma a casa, lava roupa, passa?Então isso de dormir de dia com ele comigo nunca rolou.

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No início tentava deixar ele na cadeirinha e fazer as coisas de casa. Percebi que ele se estressava muito mais, eu me cansava muito mais e não conseguia fazer nada. Um dia me dei conta de que ele precisa de atenção e resolvi me doar 100% ao meu filho quando estou só eu e ele. Posso dizer que minha vida melhorou muito. Quando ele tá acordado, eu sou só dele. Brinco com ele, estimulo, beijo o dia inteiro. Logo ele se cansa e dá uma soneca, aí sim corro para fazer as coisas aqui em casa. Nem sempre dá certo, porque ele acaba não dormindo por muito tempo, então minha casa vive uma zona doida que só consigo dar um jeitinho quando o Leandro chega à noite. Às vezes eu tô tão cansada de noite que não dou jeitinho nenhum por isso, mas me absolvo da culpa.

Minha mãe não gosta, vive falando que sempre deu conta de mim e da casa sem problemas. Eu não sei como e gostaria muito que fosse assim por aqui também, mas infelizmente não é. E por conta disso me cobro muito. Por conta disso me sinto péssima mãe. Não só pelo que minha mãe fala, mas porque vejo mães que tem, às vezes, mais de um filho e dá conta da casa e do filho, que a casa vive um brinco. Eu ainda não descobri como conseguir fazer isso, mas espero que consiga com o tempo.

Ainda é muito difícil. Uns dias mais tranquilos, uns mais pesados. Tem dias que minhas costas queimam de tanta dor, outras que o João dorme tanto à noite (umas 6/7h seguidas) que acordo renovada. Semana passada coloquei na minha cabeça que iria fazer ele dormir no berço (ele está bem pesadinho pra ficar ninando ele o tempo todo). Foi mais de 1 hora de muita paciência, muita força. Tiveram momentos que eu tive a sensação de que iria desmaiar de cansaço, mas não me permiti desmaiar. O Leandro dizia pra eu ir descansar que ele ficaria lá do lado, mas não fui, eu sabia que eu era capaz, eu queria provar para mim mesma que era capaz. Capaz de ser mais forte do que eu penso ser.

Sabe, eu me cobro muito como mãe. Não me considero uma boa mãe, longe disso. Eu acho que “sobrevivo” como mãe.  O dia que minha mãe comentou numa foto minha dizendo que tem orgulho de mim (como mãe) eu desandei a chorar. Ter a aprovação dela é muito importante pra mim. Sua mãe te aprovando como mãe é a melhor coisa que você pode esperar.

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Eu confesso: Teve um dia que eu estava tão desesperada de cansaço que me peguei falando que se eu soubesse que ter filho é tão cansativo, jamais teria. Me desculpa, porque é tudo mentira. Sabe por que ninguém nunca vai te dizer para não ter filho, que filho cansa? Porque tudo compensa. Compensa quando sinto o cheiro do João, quando o vejo dormindo, quando o vejo sorrindo, quando o vejo conversando e até quando, como agora, que ele tá brincando sozinho com o pé, porque essas pequenas descobertas são os melhores momentos que você pode vivenciar.

Veja bem, eu não estou reclamando da minha vida, estou desabafando. Porque às vezes é preciso isso. É preciso você falar, falar com alguém que entenda seu momento, suas dificuldades e até as suas loucuras.

E, felizmente, estou podendo contar com 2 anjos na minha vida chamados Maria Letícia e Mariana. Nossos bebês nos uniram, nasceram no mesmo mês, fizemos um grupo no whatsapp e nos falamos o dia inteiro. Lá a gente desabafa quase que o dia inteiro, mas damos dicas umas para as outras, conselhos e rimos muito de nós mesmas.

Aconselho a quem puder, procurar pessoas que estejam passando pela mesma fase que você. Você vai ver que não é a única. Que até aquilo que você tem vergonha de admitir, é normal. E assim é mais fácil levar a vida.

Estou sendo também injusta se não disser que Deus me mandou o maior de todos os anjos, meu parceiro, meu Leandro. É o melhor pai que eu poderia sonhar para meu filho. Me ajuda, me dá forças. Se não fosse ele, com certeza eu não conseguiria. Temos até revezado de madrugada. Eu dou mamar e ele nina o João.

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Preciso também bater palmas de pé para mães solteiras porque é barra pesadíssima.

Enfim, obrigada meu Deus pela oportunidade de sentir todo esse cansaço. Me sinto sortuda, me sinto completa agora.

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Para falar comigo, meu e-mail é fernanda_carvalho@globo.com

Beijos,

Nanda

O dia do nosso nascimento

Sempre ouvi dizer que quando a mulher está prestes a parir, ela meio que se isola. Eu achava que isso era lenda, mas sem perceber, no dia anterior ao meu parto, comecei a ficar pensativa, na minha, calada, nervosa.

Nesse mesmo dia à noite, fui para o futuro quarto do meu príncipe, fiquei ali até o Leandro chegar. Quando ele chegou, ficamos um pouco abraçados e comentei que a partir do dia seguinte nossa vida nunca mais seria a mesma, mesmo que quiséssemos, mesmo que tentássemos, nunca mais voltaria ao que era. Consequentemente, nós nunca mais seríamos os mesmos.

Aquilo me deu um frio na barriga e começou a cair minha ficha que era verdade, eu seria mãe. Os 9 meses passaram muito rápidos. Lembro exatamente o dia que descobri a gravidez e, desde então, por mais que os dias passassem correndo, sempre parecia muito distante. Mas não estava mais distante. Eu iria dormir e quando acordasse, iria ao hospital dar as boas vindas ao MEU FILHO.

E assim, no dia 7/6/14, num sábado, acordei bem cedo e comecei a me arrumar para receber o amor da minha vida, sempre em silêncio. Fomos para o hospital eu, Leandro, minha mãe, meu pai e uma amiga que tiraria as fotos do parto, a Bernadete. Todos muito felizes e falantes, mas eu ainda na minha.

Fiz o procedimento da internação e subimos para o quarto. Aos poucos, alguns amigos e familiares começaram a chegar. Cada um que chegava era um conforto no meu coração. Era como se cada um estivesse segurando minha mão e dizendo que ficaria tudo bem.

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Minhas amigas chegando de surpresa e fazendo a maior festa no quarto

Um a um foi chegando até que o quarto estava lotado. Acredito que já tinham umas 20 pessoas no quarto quando minha médica chegou. Ela conversou comigo, me contou como seriam os procedimentos e pediu que todos se retirassem do quarto e se encaminhassem para a sala de espera do berçário.

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NOSSA! Tava chegando a hora. E do mesmo jeito que chegaram, um a um foi se despedindo de mim, me desejando uma boa hora. Não me aguentei, comecei a chorar, me emocionei com as palavras que me disseram e, ao mesmo tempo, vê-los saindo do quarto me fez pensar que agora era comigo, só comigo.

Quando minha mãe veio se despedir de mim, me deu um beijo na testa e não disse nada. Mas eu sabia tudo o que ela queria dizer na hora e todas essas palavras não ditas confortaram meu coração.

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Até que todos se foram e o maqueiro chegou para me levar. NOSSA! Então a hora chegou mesmo, não tinha para onde correr, não tinha como adiar.

Subi na maca, Leandro me deu a mão e o maqueiro começou a me empurrar pelos corredores do hospital até o centro cirúrgico.

A sensação era igual de um filme, eu via apenas as luzes no teto passando sobre mim, via algumas pessoas queridas que ficaram pelos corredores para esperar eu passar e me dizerem mais algumas palavras de carinho e apoio. O que me fez chorar mais, fui praticamente o caminho todo chorando e apertando a mão do Leandro, não queria que ele me soltasse por nada no mundo.

Mas, para a minha surpresa, chegando na porta do centro cirúrgico, o maqueiro pediu para nos despedir porque a entrada do Leandro era do outro lado e que ele só entraria na sala de parto quando toda a preparação já tivesse sido feita, praticamente somente na hora do nascimento mesmo.

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Me desesperei, eu não podia ficar sozinha, eu precisava dele ali comigo, eu simplesmente não conseguiria sozinha. Mas não tínhamos escolha, tivemos que nos despedir. E por mais que tivesse toda a equipe médica lá, me sentia completamente sozinha.

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Fiquei no corredor por alguns poucos, porém infinitos, minutos enquanto terminavam de preparar a sala para a minha entrada.

Alguns enfermeiros e médicos me perguntavam o motivo do choro, se era de nervosismo ou de alegria. Menti, falei que era de alegria, mas eu estava tão nervosa com tudo, com a cirurgia, com a chegada dele, com a mudança na minha vida, que mal conseguia ficar feliz.

Entrei e os procedimentos começaram. Enquanto eles eram feitos, uma enfermeira me segurou a mão e perguntou o nome do bebê. Respondi que era João e ela me disse que o nome era lindo, nome de santo (por isso o nome dele) e que o dia de São João estava chegando (24/06) e que mãe de João, todo dia de São João teria que fazer um bolo de fubá para o filho. Me fez prometer que o faria. Prometi.

Os procedimentos iniciais terminaram e finalmente o Leandro entrou. Fiquei mais tranquila com a presença dele lá.

Escuto minha médica dizer: Vai nascer!

Meu Deus! Era agora!

Não, pera! O espertinho não queria sair do quentinho e voltou pro “fundo do útero”.

Ouço mais uma vez a médica: Agora sim! Vai nascer! Preparados?

E às 13:13 veio ao mundo meu João. Nasceu viradinho de bundinha.

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Lembro da anestesista abaixar o lençol para que eu pudesse o ver. E eu vi aquele bebê e me perguntei “É meu? Então era ele que tava dentro de mim? Como pode esse bebê tão grande estar dentro de mim? Então eu sou mãe? Então eu tenho um filho pra chamar de meu?”. E me fiz todas essas perguntas em alguns segundos, porque logo ela levantou o lençol e a pediatra levou para fazer alguns exames rápidos do meu lado.

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Papai cortando o cordão umbilical ❤

Enquanto isso fiquei pensando que não tive o imprinting (amor à primeira vista) que achei que teria. Que tipo de mãe seria eu?? Aquele bebê não parecia ser meu.

Lembro de ouvir o Leandro me chamar atrás de mim, quando olhei ele me disse: ELE É LINDO!

Nesse momento me emocionei de verdade e só soube sorrir pra ele. E foi aí que ele tirou uma foto minha maravilhosa, nunca passei tanta felicidade numa foto, tanta felicidade com os olhos.

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Até que me trouxeram o João, colocaram ele do meu lado (não pude pegá-lo no colo ainda) e eu encostei meu rosto no dele. Como ele era quentinho, e como aquele quentinho me preencheu por inteiro, me deu calafrios e comecei a chorar dizendo bem baixinho que o amava, que o esperei muito e repetindo sem parar que o amava. Comecei a beijar aquele bebê da pele quentinha, o MEU bebê, o grande e verdadeiro amor da minha vida.

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E João e Leandro foram para o berçário. Finalmente o João seria apresentado a todos que estavam ali ansiosos com a sua chegada.

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Quando os vi saindo da sala, me senti tão aliviada que pude, enfim, descansar e caí no sono. E lembro que a pediatra me acordou e disse: “Olha, chegou mais gente. O berçário tem 3 janelas e todas elas estão lotadas de gente. Parece até que filho de artista nasceu”.

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Desculpa Dra. É que meu filho não nasceu, ele estreou. rsrs. Mas falando sério. Eu fiquei tão feliz em saber disso. Em saber que nós três somos queridos por muitas pessoas. E que, antes mesmo do meu filho nascer, ele já era amado por muitos.

Fui para o quarto e no caminho pude ver pessoas queridas pelos corredores. Eles me esperaram. Como é bom se sentir amada. Que conforto que dá dentro da gente.

Depois de algum tempinho, levaram o João para o quarto e eu pude, enfim, pegar meu príncipe no colo. Não existe sensação melhor no mundo. A sensação de ter o mundo inteiro nos seus braços e que o tempo parou nesse momento.

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Primeira vez que amamentei meu filho

E foi assim que no dia 6/7 (6+7 = 13), às 13:13 meu João veio a mundo de bunda virada pra lua (segura essa, Zagallo).

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E não, esses não foram os primeiros momentos da vida do João. Foram os primeiros momentos da minha vida. Foi quando minha vida começou, quando ela começou a ter sentido. Eu andei vagando por aí esse tempo todo e só agora eu sei o que é amor de verdade, o que é ser feliz de verdade por nada.

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Amo minha família mais que tudo, amo minha família com todas as minhas forças.

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Ps: As fotos em preto e branco quem tirou foi o Leandro. As que estão com logo, são da Bretas Caetano (já falei dela aqui). Obrigada pelas fotos, Bernadete. Obrigada por eternizar o momento mais feliz de nossas vidas.

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Beijos,

Nanda 😉