O primeiro passo para ser uma boa mãe é assumir que não é uma boa mãe

tranquilidade-mae-nao-dorme

Semana retrasada eu comecei com o pé esquerdo total. Cheguei a relatar meu dia no instagram @blogmaenaodorme, mas pra quem não acompanhou, vou contar por aqui também para depois comentar sobre o assunto que estou querendo falar hoje.

Segunda-feira foi dia de pediatra logo pela manhã. Então acordei mais cedo e comecei a correria que é para sair de casa com o João. Aí corri pra me arrumar, arrumei a bolsa do João, preparei mamadeira pra quando ele acordasse, ele acordou, dei mamadeira, dei banho, enquanto o arrumava ele fez cocô, limpei, ele fez de novo, limpei de novo, ele fez DE NOVO, limpei mais uma vez, coloquei a roupa, estava pequena, tirei e coloquei outra roupa, fui embora.

Quando saí parecia até que tinha passado um furacão pela minha casa, uma bagunça total. Putz, esqueci a chupeta. Voltei em casa pra pegar a chupeta, fui pro carro, coloquei o João no bebê conforto, ele começou a chorar (ele nunca teve problemas para ficar no bebê conforto, sempre fica de boa), acalmei o João, fechei o carrinho, coloquei na mala, não estava cabendo, ajeitei direitinho, entrei no carro. Olhei no espelho, nem penteado o cabelo eu tinha. Mas esqueci disso no momento que o João começou a chorar e eu tive que ir cantando e brincando até o pediatra (o bebê conforto é virado pra trás, então ele não me vê). Ufa!

crazy housewife

Olho pro chão! Tô com duas sandálias diferentes em cada pé (um modelo totalmente diferente do outro).

No Pediatra ocorreu tudo bem! Um ponto pra mamãe.

Vou na casa da minha mãe depois deixar o João, aproveito troco de sandália e agora sim começa meu dia, vamos para o trabalho.

É até engraçado, mas apesar de se chamar trabalho, descanso mais do que se tivesse com o João. Me sinto culpada por achar isso. Mas me absolvo dessa culpa.

Mother and baby in home office with laptop

Saindo do trabalho tive que correr no shopping antes de buscar o João pra resolver umas coisas super rápido.

Aí que eu estava de saia longa, a minha preferida por sinal, e ela prendeu na escada rolante. Na hora a escada rolante fez um barulhão e parou, os seguranças vieram correndo, pediram que todos que estavam na escada saíssem, interditaram a escada e logo se formou uma fila enorme de pessoas esperando para descer. Ligaram a escada de novo e a segurança puxou minha saia, só que com a força dela, ela caiu pra traz bem feio, minha saia rasgou e ficou  toooooooooda suja de preto. Ou seja, agradeci imensamente a ajuda e fiquei andando no shopping que nem uma mendiga, Braseeeel!

Saí de lá, busquei meu filho e tudo normal no restante do dia que pareceu ter 36 horas. Ufa!

Só depois eu parei pra pensar que consegui levar tudo isso no bom humor (na medida do possível). E só me toquei disso no dia seguinte. Coisa que há alguns meses atrás, jamais eu conseguiria. Certeza que se isso acontecesse lá trás, eu sentaria, choraria, gritaria, teria algum ataque louco.

Scared baby against crazy mother

Logo que o João nasceu eu coloquei na minha cabeça que eu tinha que dar conta do João e da casa. Que minha casa tinha que estar arrumada, louça limpa, roupa lavada e passada.

Minha mãe sempre me dizendo que ela cuidava de mim sozinha e mantinha a casa sempre arrumada, que eu tinha que fazer o mesmo e tal.

Então eu queria sempre que o João dormisse ou que ficasse quietinho no carrinho/cadeirinha enquanto eu literalmente corria pela casa tentando fazer as coisas.

O resultado foi bebê estressado, mamãe estressada, mamãe exausta e casa de pernas pro ar.

No final do dia eu estava transtornada já, não aguentava mais ouvir choro de João, não entendia o motivo dele chorar, eu sentia dores pelo corpo todo (principalmente nas costas) e me sentia completamente frustrada por não dar conta nem de um e nem de outro. Que péssima mãe eu me sentia, não é possível que só eu no mundo não conseguisse isso. Se todo mundo consegue, eu também tinha que conseguir.

Isso me gerou muitos problemas, inclusive com meu marido que chegava do trabalho e eu descontava tudo em cima dele, estourava quase que sempre e entramos numa crise grandiosa.

marido-brigando-mae-nao-dorme

Minha alforria começou num dia que eu estava com as costas ardendo de tanta dor de ter que ficar ninando o João o tempo inteiro porque quando ele ficava com sono era um desespero sem fim. Ele gritava, ele chorava, ficava vermelho, eu me desesperava, chorava junto, pedia pelo amor de Deus pra ele dormir, já que estava com sono.

Decidi que iria ensinar ele a dormir sozinho. Lembrei de alguns artigos que li, alguns vídeos que assisti e resolvi colocar em prática, mas do meu jeito.

Coloquei ele no berço, apaguei a luz (deixei só a luminária acesa), coloquei uma música calminha, peguei uma cadeira, coloquei do lado do berço e sentei.

Falei pra ele que estava na hora de dormir e que mamãe estava ali. Dei a chupeta. Ele cuspia a chupeta, se virava, reclamava. Eu colocava a chupeta, repetia que estava na hora de dormir. Ele chorava algumas vezes, eu acalmava ele (cheguei a pegar ele no colo uma vez até ele parar de chorar e coloquei de volta) e repetia as mesmas palavras.

Foi difícil, eu chorava, minhas costas ardiam horrores de tanta dor. Meu marido sentado um pouco atrás de mim, na poltrona de amamentar, falava pra eu ir tomar banho e descansar, que ele ficava ali. Mas eu me neguei a sair, eu disse que ficaria até um fim, que um bebê não poderia me vencer (sim, eu me arrependo dessas últimas palavras, mas eu estava desesperada já).

Finalmente depois de mais de 2 horas, ele dormiu. E eu nem acreditei.

E por mais incrível que isso possa parecer, depois que dorme sozinho uma vez, vai ficando mais fácil ele dormir sozinho depois. Isso ele devia ter uns 3 meses, 4 meses no máximo.

bebe-dormindo-mae-nao-dorme

Passei a colocá-lo no carrinho, balançar e ele ia dormindo. Depois colocava na minha cama, abraçava ele e ele dormia. Agora coloco no berço, apago a luz e ele apaga.

Obviamente que não é sempre assim, não posso ultrapassar o limite dele. Quando deixo ele ficar muito, mas muito cansado, ele tem dificuldades para pegar no sono. Então sempre presto atenção nisso.

E aí isso já me deu um grande alívio.

Até que eu caí na real e vi que não adiantava me matar para manter uma casa arrumada, meu filho estava ali e eu não curtia a melhor fase da vida dele porque tava neurótica com uma limpeza e arrumação que não era possível.

Resolvi que ia aproveitar meu filho, todos os minutos com ele e que a casa ficaria em segundo plano. Quando ele dormisse, se ele dormisse, eu aproveitava e adiantava alguma coisa. E quando ele dormisse à noite, eu dava um jeito maior na casa. Mas que também não ultrapassaria meu horário de dormir, porque senão não descansaria o suficiente e acordaria um caco no dia seguinte (o João passou a dormir a noite toda de 5 para 6 meses).

Meu grande medo de voltar a trabalhar era justamente ficar um caco humano, mas não foi isso que ocorreu, fico muito menos cansada. Eu realmente agora levo mais de boa as coisas. Se deu, deu, se não deu, não deu e tchau.

O importante é o meu filho estar bem, feliz. E não perco mais momentos de brincadeira com meu filho pra arrumar casa.

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Bem verdade também que chamei uma pessoa que faz faxina na minha casa de 15 em 15 dias. Daí eu só mantenho o que ela limpou e faxinou no pesado.

Mas o que quero dizer para vocês é que não se cobrem tanto, não tente ser mais do que você é. Se existem mães perfeitas, eu admiro, acho lindo, mas eu não sou uma delas e não me culpo mais por isso. 😉

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Para falar comigo, meu e-mail é fernanda_carvalho@globo.com

Beijos,

Nanda

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