O drama que é a volta ao trabalho depois do nascimento do filho

Quem me acompanha no Instagram e Facebook sabe que eu estou passando por um novo….acho que podemos chamar de….desafio. Um novo desafio na minha vida: A volta ao trabalho depois da licença Maternidade.

É bem provável que quem não seja mãe, não entenda o motivo de eu chamar isso de desafio e nem entenda o meu “sofrimento”. Até mesmo quando eu estava grávida, fazia partes de grupos de mãe, achava uma frescura quando surgia esse assunto e achava a mulher uma frouxa ou preguiçosa porque eu sempre trabalhei e só de tirar férias eu me sentia inútil, doida pra voltar. Realmente achei que não teria problemas quando fosse a minha vez.

Paguei minha língua e vou tentar explicar pra quem nunca passou por isso.

Bom, primeiro vou começar falando de uma palestra do Pediatra Dr José Martins Filho que eu assisti uma vez e que ele fala muito do que eu penso e assim fica mais fácil de explicar.

Ele fala sobre os primeiros 1000 dias, que não é muito conhecido para quem não é mãe e até para algumas mamães que os desconhecem mesmo. Os primeiros 1000 dias são os mais importantes e delicados de uma criança, tanto na saúde, como no desenvolvimento. Ele vai desde a gestação até os 2 anos. É quando o cérebro se desenvolve e determina o desenvolvimento da criança. Quando a criança não recebe o cuidado necessário nessa fase, ela pode ter problemas futuros.

Os bebês nascem e a mãe tem que deixá-lo pra ir trabalhar, desrespeitando a lei internacional da maternidade da mãe ficar com o bebe nos primeiros anos de vida.

 

A  legislação brasileira é atrasada, são apenas 4 meses de licença maternidade. Na maioria dos países desenvolvidos, eles sabem que o bebê precisa da mãe até os 2 anos de idade.

Com 4 meses você deixar seu bebê numa creche é um sofrimento, ele é super pequeno ainda. É quase a sensação de que você o está abandonando, dá uma sensação de culpa absurda. Sem contar que a imunidade de um bebê de 4 meses é super baixa, crianças em creches vivem doentes.

A princípio o João iria ficar em creche e eu adiei ao máximo minha visita em creches. O dia que eu fui, me deu uma vontade louca de chorar no meio da creche.

Fiquei pensando que é tão difícil cuidar de uma criança, tem horas que eu perco a paciência, tenho vontade de chutar o balde, deixar pra lá e tenho noção que eu não posso. Nessa hora eu respiro fundo e tiro AMOR do dedinho do meu pé e tento passar todo esse amor pra ele porque, para uma criança, carinho e amor cura qualquer coisa. E nessas horas difíceis, eu o pego no colo, abraço, beijo e tento passar pra ele todo meu amor. Desde quando passei a fazer isso, me entregar totalmente pra ele, os dias passaram a ficar mais fáceis pra mim e pra ele.

Agora, se eu tenho que tirar amor do dedinho do pé, o que vai fazer uma pessoa que não tem nenhum tipo de sentimento por ele? Sabe, é muito difícil e era nisso que eu não parava de pensar. E esse pensamento me deixava com mais culpa dentro de mim.

Apesar de eu ter ótimas referências dessa creche, de que os funcionários eram mega carinhosos, não era eu, não era a mesma coisa.

Então Deus me presenteou com a novidade que minha mãe poderia ficar com o João em alguns dias na semana e nos outros dois dias, minha tia ficaria com ele. Saber que ele estaria com pessoas de minha total confiança e que o amam quase que tanto quanto eu, me deixou MUITO mais tranquila, mas não menos culpada.

Eu adiei falar nesse assunto, até que no domingo, um dia antes de voltar a trabalhar, eu desabafei no instagram, falei tudo que estava preso na minha garganta.

Falei foram 5 meses em casa (consegui 1 mês de férias além da licença), 5 meses difíceis, intensos, mas 5 meses 24h grudada nele.
Que eu voltaria a trabalhar no dia seguinte com meu cotação cortado. Como eu queria não ter mais que trabalhar, como eu queria viver pra ele, mommy full time. Como eu pensei nesses 5 meses maneiras de não ter que trabalhar fora, de trabalhar de casa, de ganhar dinheiro, de abrir minha própria empresa. Mas não cheguei a nenhuma conclusão cabível.

A minha sensação é que não iria acompanhar o crescimento do meu filho. Não vou ver quando ele engatinhar pela primeira vez, não vou ver quando ele falar pela primeira vez. Não vou estar presente em nenhum desses momentos importantes dele. Praticamente não vou cria-lo.

Que mundo cruel é esse, meu Deus? Que faz nós, mães, ter que terceirizar a criação de nossos filhos.

Escrevi o desabafo aos prantos e assim permaneci por algumas horas depois de postar, morrendo de medo do futuro. Morrendo de medo que ele perca esse carinho que ele tem por mim.

Como iria sobreviver sem seu cheiro 24h comigo?????

11412_1717418051817108_10674771602772663_n

Finalizei pedindo à Deus que me desse muita muita muita força. Para a minha surpresa, Deus me deu muita força em forma de amigos, seguidores. Recebi muito carinho, muitas palavras de incentivo, muitas palavras de consolo de pessoas que entenderam minha dor e que a compartilharam comigo.

Isso fez ser mais fácil o retorno ao trabalho, é melhor do que pensei que seria. O ruim mesmo é virar de costas e deixá-lo lá e ir o caminho todo pensando nisso. Mas quando chega no trabalho, faço tantas coisas que acabo não pensando muito nisso. Dá a minha hora e eu corro pra ele. Ontem cheguei e ele grudou em mim no colo e foi muito delicioso. Nosso tempo junto tem sido mais intenso.

Hoje, no 5 dia de trabalho, longe dele, está mais fácil, mas ainda penso que não irei acompanhar o crescimento do meu filho. Não sou eu que vou criar meu filho, olha que loucura. Óbvio que eu confio na criação da minha mãe e da minha tia, afinal elas me criaram, criaram meu irmão e meus primos, mas NÃO SOU EU. Tenho alguns pensamentos diferentes, muitas coisas mudaram desde aquele tempo pra cá, tenho outro método de criação e infelizmente não vou poder usar, porque ele vai ficar a maior parte dos dias dele longe de mim, com outras pessoas. Você ter um filho e não poder “criar” (ok, estou sendo exagerada apenas pra exemplificar) é uma das piores dores que uma mãe pode ter.

Tenho cantado muito a música Thousand Years da Christina Perri que diz “I Have died every day waiting for you. Darling, dont be afraid, I have loved you for a thousand years, I’ll love you for a thousand more” (Eu morri todos os dias esperando você. Querido, não tenha medo, eu te amei por mil anos e vou te amar por mais mil).

Só pra finalizar, muita gente disse que sou corajosa, que não teriam coragem de voltar pro trabalho e que abandonaram os empregos. Infelizmente, eu não tive opção de ser corajosa ou não. A vida só me deu essa opção. Se eu pudesse, pode ter certeza que jamais teria voltado ao trabalho.

Mas vamos lá, um dia melhor que o outro e quem sabe um dia, consigo deixar o trabalho pra me dedicar inteiramente ao meu filho e ao blog, quem sabe um dia eu chego lá, né? Tenho trabalhado bastante pra isso 😉

E se você curtiu desse post, clica aqui em “Gosto” e em “Compartilhar”. Não esqueça também de curtir a gente no Facebook: http://facebook.com/maenaodorme e nem no Instagram: @blogmaenaodorme.

Para falar comigo, meu e-mail é fernanda_carvalho@globo.com

Beijos,

Nanda

Anúncios

4 comentários sobre “O drama que é a volta ao trabalho depois do nascimento do filho

  1. cariocaemgent disse:

    Nossa, deve ser um peso enorme nas costas de uma mãe.
    Eu posso te dizer que aqui tb a licença não é de 2 anos não, eu acho que é de 4 meses também.
    Aqui o esquema é creche, que por sinal tem fila! Tem que registrar o bebe na creche antes mesmo dele nascer para uma possível vaga! :O ( absurdo)

    Ah eu não resisti e fiz um wordpress!
    beijos Carol 🙂

  2. vanessa disse:

    Estou passando por um momento praticamente igual, como eu queria poder criar meu filho, como eu queria poder ter o privilégio de pedir demissão e ver meu filho andar, falar as primeiras palavras. Todos os dias o nó na garganta e as lágrimas veem enquanto eu trabalho. Mundo triste, queria ter nascido em uma época em que as mães se dedicavam exclusivamente a familia.

    • Fernanda Pereira disse:

      Vanessa,

      Força na peruca. O período de “separação”é muito difícil, mas depois você percebe que é a melhor coisa que poderia ter acontecido. Você aproveita mais seu filho, chega em casa com saudade e paciência. Se cansa menos. E principalmente, não deixa de criá-lo.

      beijos e muita força

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s