O dia do nosso nascimento

Sempre ouvi dizer que quando a mulher está prestes a parir, ela meio que se isola. Eu achava que isso era lenda, mas sem perceber, no dia anterior ao meu parto, comecei a ficar pensativa, na minha, calada, nervosa.

Nesse mesmo dia à noite, fui para o futuro quarto do meu príncipe, fiquei ali até o Leandro chegar. Quando ele chegou, ficamos um pouco abraçados e comentei que a partir do dia seguinte nossa vida nunca mais seria a mesma, mesmo que quiséssemos, mesmo que tentássemos, nunca mais voltaria ao que era. Consequentemente, nós nunca mais seríamos os mesmos.

Aquilo me deu um frio na barriga e começou a cair minha ficha que era verdade, eu seria mãe. Os 9 meses passaram muito rápidos. Lembro exatamente o dia que descobri a gravidez e, desde então, por mais que os dias passassem correndo, sempre parecia muito distante. Mas não estava mais distante. Eu iria dormir e quando acordasse, iria ao hospital dar as boas vindas ao MEU FILHO.

E assim, no dia 7/6/14, num sábado, acordei bem cedo e comecei a me arrumar para receber o amor da minha vida, sempre em silêncio. Fomos para o hospital eu, Leandro, minha mãe, meu pai e uma amiga que tiraria as fotos do parto, a Bernadete. Todos muito felizes e falantes, mas eu ainda na minha.

Fiz o procedimento da internação e subimos para o quarto. Aos poucos, alguns amigos e familiares começaram a chegar. Cada um que chegava era um conforto no meu coração. Era como se cada um estivesse segurando minha mão e dizendo que ficaria tudo bem.

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Minhas amigas chegando de surpresa e fazendo a maior festa no quarto

Um a um foi chegando até que o quarto estava lotado. Acredito que já tinham umas 20 pessoas no quarto quando minha médica chegou. Ela conversou comigo, me contou como seriam os procedimentos e pediu que todos se retirassem do quarto e se encaminhassem para a sala de espera do berçário.

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NOSSA! Tava chegando a hora. E do mesmo jeito que chegaram, um a um foi se despedindo de mim, me desejando uma boa hora. Não me aguentei, comecei a chorar, me emocionei com as palavras que me disseram e, ao mesmo tempo, vê-los saindo do quarto me fez pensar que agora era comigo, só comigo.

Quando minha mãe veio se despedir de mim, me deu um beijo na testa e não disse nada. Mas eu sabia tudo o que ela queria dizer na hora e todas essas palavras não ditas confortaram meu coração.

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Até que todos se foram e o maqueiro chegou para me levar. NOSSA! Então a hora chegou mesmo, não tinha para onde correr, não tinha como adiar.

Subi na maca, Leandro me deu a mão e o maqueiro começou a me empurrar pelos corredores do hospital até o centro cirúrgico.

A sensação era igual de um filme, eu via apenas as luzes no teto passando sobre mim, via algumas pessoas queridas que ficaram pelos corredores para esperar eu passar e me dizerem mais algumas palavras de carinho e apoio. O que me fez chorar mais, fui praticamente o caminho todo chorando e apertando a mão do Leandro, não queria que ele me soltasse por nada no mundo.

Mas, para a minha surpresa, chegando na porta do centro cirúrgico, o maqueiro pediu para nos despedir porque a entrada do Leandro era do outro lado e que ele só entraria na sala de parto quando toda a preparação já tivesse sido feita, praticamente somente na hora do nascimento mesmo.

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Me desesperei, eu não podia ficar sozinha, eu precisava dele ali comigo, eu simplesmente não conseguiria sozinha. Mas não tínhamos escolha, tivemos que nos despedir. E por mais que tivesse toda a equipe médica lá, me sentia completamente sozinha.

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Fiquei no corredor por alguns poucos, porém infinitos, minutos enquanto terminavam de preparar a sala para a minha entrada.

Alguns enfermeiros e médicos me perguntavam o motivo do choro, se era de nervosismo ou de alegria. Menti, falei que era de alegria, mas eu estava tão nervosa com tudo, com a cirurgia, com a chegada dele, com a mudança na minha vida, que mal conseguia ficar feliz.

Entrei e os procedimentos começaram. Enquanto eles eram feitos, uma enfermeira me segurou a mão e perguntou o nome do bebê. Respondi que era João e ela me disse que o nome era lindo, nome de santo (por isso o nome dele) e que o dia de São João estava chegando (24/06) e que mãe de João, todo dia de São João teria que fazer um bolo de fubá para o filho. Me fez prometer que o faria. Prometi.

Os procedimentos iniciais terminaram e finalmente o Leandro entrou. Fiquei mais tranquila com a presença dele lá.

Escuto minha médica dizer: Vai nascer!

Meu Deus! Era agora!

Não, pera! O espertinho não queria sair do quentinho e voltou pro “fundo do útero”.

Ouço mais uma vez a médica: Agora sim! Vai nascer! Preparados?

E às 13:13 veio ao mundo meu João. Nasceu viradinho de bundinha.

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Lembro da anestesista abaixar o lençol para que eu pudesse o ver. E eu vi aquele bebê e me perguntei “É meu? Então era ele que tava dentro de mim? Como pode esse bebê tão grande estar dentro de mim? Então eu sou mãe? Então eu tenho um filho pra chamar de meu?”. E me fiz todas essas perguntas em alguns segundos, porque logo ela levantou o lençol e a pediatra levou para fazer alguns exames rápidos do meu lado.

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Papai cortando o cordão umbilical ❤

Enquanto isso fiquei pensando que não tive o imprinting (amor à primeira vista) que achei que teria. Que tipo de mãe seria eu?? Aquele bebê não parecia ser meu.

Lembro de ouvir o Leandro me chamar atrás de mim, quando olhei ele me disse: ELE É LINDO!

Nesse momento me emocionei de verdade e só soube sorrir pra ele. E foi aí que ele tirou uma foto minha maravilhosa, nunca passei tanta felicidade numa foto, tanta felicidade com os olhos.

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Até que me trouxeram o João, colocaram ele do meu lado (não pude pegá-lo no colo ainda) e eu encostei meu rosto no dele. Como ele era quentinho, e como aquele quentinho me preencheu por inteiro, me deu calafrios e comecei a chorar dizendo bem baixinho que o amava, que o esperei muito e repetindo sem parar que o amava. Comecei a beijar aquele bebê da pele quentinha, o MEU bebê, o grande e verdadeiro amor da minha vida.

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E João e Leandro foram para o berçário. Finalmente o João seria apresentado a todos que estavam ali ansiosos com a sua chegada.

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Quando os vi saindo da sala, me senti tão aliviada que pude, enfim, descansar e caí no sono. E lembro que a pediatra me acordou e disse: “Olha, chegou mais gente. O berçário tem 3 janelas e todas elas estão lotadas de gente. Parece até que filho de artista nasceu”.

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Desculpa Dra. É que meu filho não nasceu, ele estreou. rsrs. Mas falando sério. Eu fiquei tão feliz em saber disso. Em saber que nós três somos queridos por muitas pessoas. E que, antes mesmo do meu filho nascer, ele já era amado por muitos.

Fui para o quarto e no caminho pude ver pessoas queridas pelos corredores. Eles me esperaram. Como é bom se sentir amada. Que conforto que dá dentro da gente.

Depois de algum tempinho, levaram o João para o quarto e eu pude, enfim, pegar meu príncipe no colo. Não existe sensação melhor no mundo. A sensação de ter o mundo inteiro nos seus braços e que o tempo parou nesse momento.

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Primeira vez que amamentei meu filho

E foi assim que no dia 6/7 (6+7 = 13), às 13:13 meu João veio a mundo de bunda virada pra lua (segura essa, Zagallo).

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E não, esses não foram os primeiros momentos da vida do João. Foram os primeiros momentos da minha vida. Foi quando minha vida começou, quando ela começou a ter sentido. Eu andei vagando por aí esse tempo todo e só agora eu sei o que é amor de verdade, o que é ser feliz de verdade por nada.

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Amo minha família mais que tudo, amo minha família com todas as minhas forças.

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Ps: As fotos em preto e branco quem tirou foi o Leandro. As que estão com logo, são da Bretas Caetano (já falei dela aqui). Obrigada pelas fotos, Bernadete. Obrigada por eternizar o momento mais feliz de nossas vidas.

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Para falar comigo, meu e-mail é fernanda_carvalho@globo.com

Beijos,

Nanda 😉

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2 comentários sobre “O dia do nosso nascimento

  1. Patrícia disse:

    Estava na internet procurando relatos sobre a Dr Isabel, pois vou fazer meu parto com ela e ñ conheço ninguém q tenha feito, então achei seu blog, Qd li esse post aki no meu trabalho, fiquei muito emocionada, todos ficaram me olhando ☺️, vc descreveu perfeitamente seu momento,Parabéns!

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